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| Barack Obama decidiu manter as comissões militares de Guantánamo herdadas da era Bush. Apesar da garantia de reformar os polémicos tribunais de excepção criados para julgar suspeitos de terrorismo, a decisão do presidente norte-americano contraria uma promessa de campanha e atraiu críticas unânimes das organizações de defesa dos direitos humanos. No primeiro dia em funções, Obama decretou o encerramento de Guantánamo e, como explica um representante da Amnistia Internacional, “tinha uma posição clara durante a campanha. Pouco depois de chegar à Casa Branca era claro aquilo que ía fazer. Agora, a posição e políticas da administração são algo confusas”. Entre as reformas propostas por Washington, os réus poderão passar a escolher os advogados e as declarações obtidas sob tortura ou técnicas consideradas irregulares não serão admitidas. Um advogado de defesa militar diz que a “desilusão está no facto de que o Governo afirma agora abertamente que a razão para ressuscitar as Comissões é que será difícil obter condenações nos tribunais convencionais”. Acrescenta que os tribunais de excepção representam a primeira vez que os Estados Unidos “criam um sistema penal para obter condenações”. As comissões militares, depois de reformadas, tardarão pelo menos quatro meses para voltar a funcionar e deverão julgar entre 20 e 80 dos 240 detidos de Guantánamo. Mas a decisão de Obama já desiludiu um grande número de apoiantes. |